O formalismo russo de Tzvetan Todorov

Conheça o formalismo russo de Tzvetan Todorov e descubra uma novo método científico de análise literária e artística. Leia o artigo e saiba mais!

O formalismo russo de Tzvetan Todorov

Leia também: Literatura e teoria literária

Tzvetan Todorov foi um ensaísta, teórico literário e sociólogo búlgaro que nasceu em 1939 e morreu em 2017. Seu trabalho, muitas vezes em francês, focaliza a natureza das sociedades pós-comunistas na Europa Oriental. Produziu estudos muito influentes para a crítica literária e semiótica francesa, reconhecido pela contribuição à teoria do formalismo russo.

O que é o formalismo russo?

O formalismo russo é uma escola de crítica literária, estabelecida na Rússia entre os anos de 1910 e 1940. Os princípios do formalismo russo são categorizados em duas áreas principalmente, que são as áreas da linguística e crítica literária.

Os formalistas russos eram um grupo de estudiosos e escritores literários que desenvolveram uma abordagem da literatura que enfatizava a leitura próxima do texto. Eles queriam criar uma crítica literária que se adaptasse à obra. Desenvolvida nos anos 20, o formalismo russo é um método de compreensão e análise da literatura como um sistema autocontido, ou um sistema de sinais. Os formalistas afirmaram que toda a cultura humana pode ser tratada como um sistema de sinais, e que é dever de um crítico fornecer um relato de como “o sistema de sinais funciona”. Eles também alegaram que a complexidade de uma obra surge do envolvimento do leitor com os sinais que a compõem.

Há muitas escolas diferentes de pensamento sobre o tema do formalismo russo, mas a postura de Todorov é uma das mais conhecidas. Ele analisa e contribui com o trabalho dos formalistas russos que foram ativos no início do século 20, escola de críticos enfatizou a abordagem estrutural da literatura ao mostrar que um texto é um objeto autossuficiente que pode ser estudado sem se referir a fontes ou contextos externos.

Segundo Boris Tomachevski, o formalismo russo no Brasil constitui-se da seguinte maneira:

Os formalistas tentaram a elaboração de um teoria e a relativa sistematização das obras literárias a contar da perspectiva do procedimento artístico independentemente dos temas ou dos motivos psicológicos ou sociais; tratava-se, pois, de eliminar totalmente o contraste entre conteúdo e forma, a favor de uma concepção para a qual todos os elementos da obra, a ideia como o ritmo, são fatores artísticos, só operando enquanto tais. Frente à crítica realista isto representou toda uma inversão, e é lamentável que o triunfo da crítica marxista, que tachou de reacionário ao formalismo, tivesse detido a revisão da história literária russa que os formalistas haviam iniciado magistralmente.” (TOMACHEVSKI, 1973)

O formalismo russo de Tzvetan Todorov

Para Tzvetan Todorov, filósofo, romancista e crítico búlgaro, é necessário adotar uma abordagem estrutural do gênero literário que se afaste de conclusões extratexto. Assim, Todorov explora sistematicamente a construção literária de narrativas fantásticas para explicar a construção do romance a partir dos elementos artísticos que são utilizados pelo autor com determinado fim.

Tzvetan Todorov entende o formalismo russo como um movimento que foi moldado por duas coisas. A primeira são as circunstâncias políticas e sociais do país durante a época da Revolução Bolchevique. A segunda é o surgimento do marxismo como uma força social e política. Os formalistas eram um grupo de estudiosos literários que, ao contrário dos marxistas, se concentravam apenas na forma literária, deixando o contexto histórico-social de lado. Eles usavam o termo “formalismo” para se distinguir de outras escolas de crítica literária da época, a saber: as escolas biográficas, psicanalíticas e marxistas.

Tzvetan Todorov é notável pelo seu trabalho na análise semiótica e estruturalista do fantástico. Todorov publicou dezessete livros e mais de duzentos artigos. Ele foi traduzido em pelo menos vinte idiomas, incluindo o inglês. A obra mais influente de Todorov é seu livro O Fantástico: Uma abordagem estrutural de um gênero literário, onde demonstra como o fantástico pode ser considerado um gênero literário em si mesmo.

Para estudar a forma de um gênero literário, Todorov utiliza bases de conhecimento da linguística para construir uma teoria gramatical para a análise da literatura. No livro As estruturas da narrativa, Todorov defende no capítulo A gramática da narrativa o seguinte argumento:

“(..) se admitimos a existência de uma gramática universal, não devemos mais limitá-la exclusivamente às línguas. Ela teria, visivelmente, uma realidade psicológica; pode-se citar aqui Boas, cujo testemunho toma maior valor pelo fato de seu autor ter inspirado precisamente a linguística anti-universalista: “A aparição dos conceitos gramaticais fundamentais em todas as línguas deve ser considerada como a prova da unidade dos processos psicológicos fundamentais” (Handbook, I, p. 71). Essa realidade psicológica torna plausível a existência da mesma estrutura fora da própria língua.

Tais são as premissas que nos autorizam a procurar essa mesma gramática universal no estudo de atividades simbólicas do homem, diferentes da língua natural.” (TODOROV, 1939)

Considerações finais

Ao ampliar o rigor e o conteúdo científico da linguística à literatura, Todorov considera a possibilidade de que as articulações psicológicas que ordenam o funcionamento da língua se apliquem, também, a outras esferas psicológicas da humanidade. Por isso, Tzvetan Todorov é, mesmo negando elementos extratextuais para a análise literária, um dos grandes contribuintes da interdisciplinaridade ao adotar uma a abordagem da literatura pode ser aplicada a outras disciplinas, tais como a sociologia, por exemplo.

Os estudos de Tzvetan Todorov concentraram-se no rigor científico dedutivo de analisar a linguagem, estrutural e forma do texto para a construção de significado da narrativa, sendo um método de estudo muito importante para outras áreas da arte, como o cinema, por exemplo.

Recomendações

Referências

  • TOMACHEVSKI, Boris. Teoria da literatura, formalistas russos. Porto Alegre: Globo, 1973
  • Todorov, Tzvetan a, 1939. Ás estruturas narrativas / Tzvetan Todorov [tradução Leyla Perrone-Moisés]. — São Paulo: Perspectiva, 2006. — (Debates; 14 / dirigida por J. Guinsburg)


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