Luís Gama

Saiba agora quem foi Luís Gama e conheça um dos símbolos mais importantes de luta e liberdade da história do Brasil. Leia o artigo na íntegra e saiba mais!

Luís Gama

Leia também: Figuras Históricas: Hegemônicas e Contra Hegemônicas

Luís Gonzaga Pinto da Gama nasceu em Salvador no dia 21 de junho de 1830 e morreu em São Paulo no dia 24 de agosto de 1882 com 52 anos. Foi um grande intelectual do Brasil que atuou como advogado, jornalista e escritor literário pelo abolicionismo e pela república no Brasil.

Também chamado de “Orfeu de Carapinha”, Luís Gama é considerado o Patrono da Abolição da Escravidão no Brasil e já foi prestigiado por grandes nomes da história, como por exemplo: Raul Pompeia, Castro Alves e Machado de Assis.

Biografia de Luís Gama

Luís Gama nasceu em 21 de junho de 1830 no centro da cidade de Salvador, na Bahia. Mesmo com as poucas informações sobre sua infância, sabe-se que era filho de Luísa Mahin, uma ex-escrava africana alforriada, e de um fidalgo de família portuguesa, que morava na Bahia.

Aos sete anos, sua mãe viajou para o Rio de Janeiro para participar da revolta da Sabinada, nunca mais o reencontrando. Já em 1840, o pai acabou se endividando com jogos de azar, de modo que recorreu à venda de Luís Gama como escravo para pagar suas dívidas.

Filho de mãe negra e bastardo de pai branco, apesar de ter nascido livre, foi vendido como escravo pelo próprio “pai” aos 10 anos de idade e nunca mais pôde encontrar a mãe, Luísa Mahin, combativa e engajada com a insurreição contra a escravatura na Sabinada.

Foi posto a leilão no Rio de Janeiro e em São Paulo inúmeras vezes até ser comprado por Antônio Pereira Cardoso, escravocrata que obtinha lucros com o tráfico de escravos. Na humilhante dependência desse escravocrata, Luís Gama teve de aprender diversas funções para sobreviver, como por exemplo: copeiro, lavar e engomar roupa.

Contudo, em 1847, quando Luís tinha 17 anos, um hospede mudou-se para a casa para estudar humanidades, Antônio Rodrigues do Prado Junior, doutor em direito e magistrado de diversos méritos. Ficaram muito amigos e ao acompanhar os estudos do hóspede, Luís Gama aprendeu as primeiras letras e desenvolveu-se rapidamente em outros ensinamentos rudimentares.

Em 1848 fugiu do cativeiro e, munido de provas de sua liberdade, conquistou judicialmente a própria alforria e passou a atuar na advocacia em prol dos cativos, sendo já aos 29 anos autor consagrado e considerado “o maior abolicionista do Brasil”.

Como soldado, Luís Gama serviu 6 anos e graduou-se como cabo de esquadra. Contudo, teve uma baixa compulsória em 1854 por insubordinação a um “oficial insolente”, que resultou em 39 dias em uma prisão sórdida. Dessa experiência, Gama relata em uma carta:

“Em um lugar solitário e silencioso, passava os dias lendo; às noites, sofria de insônia; e, de contínuo, tinha diante dos olhos a imagem de minha querida mãe. Uma noite, eram mais de duas horas, eu dormitava; e em sonho vi que a levavam presa. Pareceu-me ouvi-la distintamente a chamar por mim”.

Desde então, Luís Gama trabalhou como serventuário da Secretaria da Polícia, onde produziu a maior parte das suas produções poéticas e jornalísticas em prol da bandeira antiescravagista. Em 1859, após três anos sua prisão, tornou pública a obra Primeiras Trovas Burlescas do Getulino, impressas em São Paulo.

Devido ao cunho satírico e combativo de suas produções e orações, Luís Gama foi demitido da Secretaria da Polícia. Marcado, Luís Gama enfrentou o velho amigo Antônio Rodrigues do Prado Junior na esfera pública em prol do direito de escravos.

Posteriormente, Luís Gama conseguiu um emprego como aprendiz-compositor em uma das oficinas gráficas do Ipiranga, jornal de propriedade do Ferreira de Meneses. Como colunista, passa a compor as páginas do Radical Paulistano, onde se firma como um polemista sagaz.

A partir dai, aproxima-se de grandes nomes intelectuais brasileiros, como por exemplo: Rui Barbosa, Raul Pompeia, Joaquim Nabuco e Castro Alves. A dimensão do trabalho de Luís Gama na jornada abolicionista e republicana, sendo decisivo para reformular a opinião pública frente a esses temas, despertando uma influência espantosa entre a mocidade acadêmica liberal.

Embora Luís Gama não tenha vivido para ver a abolição da escravidão no Brasil, sua contribuição foi significativa. Ele mostrou ao mundo que os negros eram seres humanos e que tinham o direito de ser livres. Sua luta inspirou outros escravos a lutar por seus direitos.

Luís Gama morreu em agosto de 1882 às 2 horas da tarde na cidade de São Paulo com 52 anos de idade, 6 anos antes de ver a abolição da escravatura no Brasil. Já famoso e reconhecido pela sua inteligência e atitude, sua morte foi noticiada nos grandes jornais do Brasil, sendo referenciado pela Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro da seguinte forma:

“É um nome tão curto quão dilatado e admirável foi o valor heroico de quem o trouxe e o elevou nesta vida. (…) Lutador convencido, trabalhou até a última hora pela redenção dos cativos por essa causa de que foi o mais extremado apóstolo. Subindo todos os degraus da escala social – tendo sido escravo e morrendo advogado respeitadíssimo e admirado – Luís Gama é um exemplo e um ensinamento. É o exemplo do quanto pode o esforço próprio para a elevação do homem na sociedade; o ensinamento para os que, como ele, se dedicam por uma causa em que uma ação bem dirigida vale mais do que milhares de frases bem pensadas”

Autodidata, sem apoio e sem pergaminhos, Luís Gama foi um dos expoentes da intelectualidade negra no Brasil, que lutou contra a escravidão, preconceito e privação no Brasil.

Pautou sua vida na luta pela abolição da escravidão e pelo fim da monarquia no Brasil, e mesmo sem ver as mudanças que defendia, foi e ainda é um símbolo da liberdade.

Símbolo da liberdade: o legado de Luís Gama na atualidade

Luís Gama é um dos nomes mais importantes dos Movimentos Abolicionistas e Republicanos no Brasil. Seu legado ainda é relevante na atualidade, especialmente no que diz respeito à igualdade de direitos.

Monumento Luis Gama

Apesar de todos os avanços ocorridos nos últimos séculos, o Brasil ainda é um país marcado pela desigualdade social e racial, o que torna o legado de Luís Gama ainda mais importante.

Seu exemplo mostra que é possível lutar contra as injustiças e conquistar direitos para todos, independentemente de raça, classe social ou gênero. É um legado que deve ser lembrado e seguido, para que possamos continuar avançando rumo a uma sociedade mais justa e igualitária.

A contribuição de Luís Gama para a literatura brasileira

Luís Gama (1848 -1917) foi um grande intelectual, jurista e político brasileiro. Além de tudo isso, Luiz Gama foi um dos grandes contribuintes para a literatura brasileira.

Gama escreveu uma única obra prima, intitulada de Primeiras Trovas Burlescas de Getulino. Lembrando a figura do poeta grego Orfeu, e aludindo ao seu cabelo crespo, Gama foi chamado de “Orfeu de Carapinha”.

Primeiras Trovas Burlescas de Getulino: poemas de Luís Gama

Para as suas produções literárias, Luís Gama inspirou-se na literatura de Gregório de Matos, escritor satírico que viveu cerca de um século antes. Contudo, o estilo crítico e satírico de Gregório de Matos despertou em Luís Gama o ímpeto do combate através do conhecimento.

Algumas de suas principais produções são:

  • A bodarrada
  • Quem sou eu?
  • Minha mãe
  • No cemitério do S. Benedito em São Paulo

Luís Gama foi e sempre será uma figura histórica muito importante para a sociedade do Brasil por ser um símbolo de luta, liberdade e intelectualidade essencial para a construção do país.

Considerações finais

Vista a história impressionante de Luís Gama, é notável o símbolo de luta, liberdade e conhecimento que cultivou ao longo de sua vida, sendo muito motivador para o desenvolvimento pessoal e coletivo.

Portanto, julgamos que estudar e divulgar a vida de Luís Gama é muito importante para que possamos conhecer uma parte fundamental da formação do nosso país.

Conhecer mais sobre essa figura histórica é muito importante para o desenvolvimento pessoal de qualquer indivíduo que queira promover uma mudança significativa e humanizadora para o mundo.

Recomendações

Referências

  • SILVA, J. Romão da – Luís Gama e suas poesias satíricas – Empresa Gráfica Carioca – Rua Brigadeiro Galvão – SP – 1954
  • MENUCCI, Sud. A Carta de Luiz Gama da Lúcio de Mendonça, in O precursor do abolicionismo no Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1938
  • AZEVEDO, E. – Orfeu de Carapinha: a Trajetória de Luiz Gama na Imperial Cidade de São Paulo.
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